quarta-feira, março 31, 2010

Beije-me e depois volte

Girou o rosto para me olhar, os olhos em duvida. Eu o fitei também. Não fazia idéia de minha expressão. Ele se balançou nos calcanhares, depois se lançou para a frente, diminuindo a distancia entre nos em três longas passadas.
Eu sabia que ele tiraria proveito da situação. Eu esperava por isso. Fiquei completamente imóvel – os olhos fechados, os dedos enrolados nos punhos do lado do corpo – enquanto as mãos dele pegavam meu rosto e seus lábios encontravam os meus com uma ansiedade que não distava muito da violência.
Pude sentir sua raiva enquanto a boca descobria minha resistência passiva. Uma das mãos passou para a minha nuca, girando em um punho em torno das raízes de meu cabelo. A outra mão agarrou rudemente meu ombro, sacudindo-me, depois me arrastando para ele. Sua mão continuava em meu braço, encontrando meu pulso e puxando o braço para cima, colocando-o em seu pescoço. Deixei-a ali, a mão ainda numa bola estreita, sem saber ate que ponto eu podia ir em meu desespero para mantê-lo vivo. Em todo esse tempo, seus lábios, desconcertantemente macios e quentes, tentaram forçar uma resposta dos meus.
Assim que teve certeza de que eu não largaria o braço, ele libertou meu pulso, a mão sentindo o caminho para minha cintura. Sua mão ardente encontrou a pele da base de minhas costas e ele me puxou para frente, curvando o meu corpo contra o dele.
Seus lábios desistiram dos meus por um momento, mas eu sabia que ele não estava perto de terminar. A boca seguiu a linha do meu queixo, depois explorou meu pescoço. Ele soltou meu cabelo, estendendo o outro braço para colocá-lo em seu pescoço, como o primeiro.
Depois os dois braços dele estavam fechados em minha cintura e seus lábios encontraram minha orelha.
Com um ofegar intenso, ele voltou a colocar a boca na minha, os dedos se agarrando freneticamente à pele de minha cintura.
O choque da raiva desequilibrou o meu tênue autocontrole; a reação inesperada de êxtase da parte dele venceu. Meu cérebro desconectou-se de meu corpo e eu estava retribuindo o seu beijo. Contra toda a razão, meus lábios se moviam com os dele de formas estranhas e perturbadoras, como nunca se moveram antes – porque eu não precisava ter cuidado com ele e ele certamente não estava tendo cuidado comigo.
Ele estava e toda parte. O sol penetrante tornou minhas pálpebras vermelhas, e a cor combinava com o calor. O calor estava em toda parte, eu não consegui ver nem sentir nada que não fosse ele.
Porque eu não estava impedindo aquilo? Pior ainda, porque eu não conseguia encontrar em mim o desejo de parar? Significava que eu não queria que ele parasse? Que minhas mãos agarraram aos ombros dele e gostavam que fossem largos e fortes? Que as mãos dele me puxassem apertado demais em seu corpo , e no entanto não fosse apertado o bastante para mim?
Eu estava mentindo para mim mesma.
Ele era mais do que apenas meu amigo. Por isso era tão impossível me despedir dele – porque eu estava apaixonada por ele. Também. Eu o amava muito mais do que devia, e no entanto ainda não era o bastante. Eu estava apaixonada por ele, mas não era o suficiente para mudar nada; era só o bastante para magoar a nos dois.
Os lábios dele ainda estavam nos meus. Abri os olhos e ele me fitava, admirado e exaltado.



Giu.

segunda-feira, março 22, 2010

I still hear your voice.

Aos poucos as lembranças tornam-se raras, desaparecendo de meus olhos como gelo ao Sol. Rápido e instantâneo, só restam as palavras. Como em uma utopia, um dejavu inexistente em um futuro que jamais acontecerá. Em sua perfeição busco defeitos e me pergunto porque ainda sonho com você, se nossa realidade mudou, todos os planos evaporaram como a água que um dia foi gelo.
Me cansei de falar, pensar e escrever sobre você, cansei de cada pequeno pedaço do teu ser que me atrai, ser que eu nunca toquei nem vi, mas que mantém uma grande importância aqui. E eu lamento cada imagem que desejo, pois sei até onde isso me levará. Pois sei que gosto dessa irrealidade, dessas verdades inventadas, totalmente utópicas que meu inconsciente cria.
Logo estou cercada e não quero fugir, logo estou cansada e não quero desistir. Por pior que seja a resistência, por mais dolorosa e tola, resisto, e estou aqui, escrevendo (mais uma vez) sobre você. Você que me acomoda todas as noites em teus braços, você que me protege do escuro à nossa volta, você que só me visita em sonhos. De que adianta controlar cada pensamento durante o dia, se durante a noite, em meu sono leve, você me encontra e me faz rir só pra ver meu sorriso? E você me faz crer que sou totalmente inconsequente, e por algum motivo que desconheço, quando estou contigo sou, pois mesmo quando analiso cada palavra me vejo sorrindo perante uma pessoa que sequer me tocou.
Julgo-me incansável e sei que dia após dia me canso e não desisto, porque não existe um motivo para continuar e não há sentido em desistir. Busco um alívio, seja ele imediato ou não, real ou irreal. Procuro em seus olhos meus pensamentos, porque sei que você entende isso também, o que se passa aqui, o que eu penso e o que eu sinto, eu sei que você sabe.
Tento gravar sua voz e sei que minhas lembranças não fazem justiça à isso, e sei que reconheceria ela em qualquer lugar, no escuro, de olhos fechados. Eu afirmaria "É você" e pela primeira vez teria certeza disso, simplesmente sentiria, saberia. Assim como nascemos e respiramos, assim como abrimos nossos olhos ao acordar. Saberia.
Saberia sem sentido, sem razão, sem motivo. Mas saberia, porque existem coisas que nunca são esquecidas.



Giu.

quinta-feira, março 11, 2010

Eu quero você de verdade

É incrível. Preciso escrever e dizer exatamente 200 vezes a mesma coisa para que você compreenda o que quero dizer. Você não lê. Você não ouve. Eu não quero você assim. Eu quero você de verdade. Não adianta eu ficar quente e feliz ao seu lado e depois sentir mais frio quando você se for. Queria que você me quisesse por inteiro. Cegasse de paixão. Queria que você quisesse ser meu. Eu posso ter quem eu quiser, mas quero você. Você vale a pena. Você sabe várias coisas sobre a vida. Sei também, que você sabe o que é amar até doer. Você entende. Só que é incapaz de olhar para mim quando estou me contorcendo de dor. Tudo bem, não faz mal. Eu te quero mesmo assim. Mas não quero você assim. Eu quero você de verdade.


Giu.

Eu posso, MAS NÃO VOU!

Um texto que está a muito tempo jogado na minha gaveta em uma folha amassada qualquer. Não faz parte do meu presente. Mas tenho um carinho forte por ele e também pelo seu fim. Eu posso, MAS NÃO VOU!

Se você tivesse segurado minha mão enquanto eu saía de perto, eu teria ficado. Mas só faria isso se tivesse absoluta certeza que você quisesse que eu ficasse. Eu poderia ter ido com você. Poderia ter ido até o inferno. Até o deserto. Até o céu. Não importa a distância que eu tivesse que percorrer. Eu teria ido até onde você quisesse me levar. Não importa como. Poderia vendar meus olhos que eu seguraria na sua mão. Eu confiaria em você. Sem motivo. Confiaria até no seu silêncio. Confiaria na sua respiração fria. Poderíamos tanto. Um romance, um cachorro, um livro, uma casa, um filho, uma vida. Poderíamos. Você não quis. Eu parti e vi evaporar o sentido da minha vida pelos meus olhos. Eu poderia fazer tudo com você. Eu posso, mas não vou. Eu não quero mais você. Então, não vou.


Giu.

Quem disse que ser adulto é fácil?

Acho que o beijo é importante e se o beijo bate, se joga, senão bate, mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?




Giu.

sexta-feira, março 05, 2010

Relacionamento de plástico não morre

Sempre entrei em crise sorrateiramente. Quando percebia que depois de 1 ano (ou menos) eu não tinha aquele entusiasmo de outrora pelo amor-da-minha-vida. Mas reinventava, mudava o figurino, trocava o perfume, a pasta dental e vamo-que-vamo. A minha crise sempre foi por vislumbrar os casais felizes a minha volta, em seus retratos posados, e percebê-los tão felizes, tão "Revista Caras", e não ter o mesmo entusiasmo. Mas, afinal, todas as fotos de casais são posadas, assim como as minhas. Desculpe se magoo alguém ao escrever isso, mas a verdade é que todos os casais são deprimidos. Necessita-se de muita maquiagem para APARECER bem diante de uma resolução tão alta como é um relacionamento duradouro.Sei que muitos de vocês devem estar pensando "Só porque ela está solteira vem com essa...". Vocês estão no seu direito, eu estou no meu de achar que não conheço nenhum casal de propaganda de margarina. Pode vir dizer que seus pais são apaixonados e que deles brotam corações toda vez que se olham. Ou que você é apaixonada por seu amor há 10 anos e sente toda a vibração do início, literalmente. Não estou subestimando o tesão, muito menos o amor de ninguém. Falo de como as relações estão entranhadas de mágoas, ressentimentos, palavras-não-ditas e escapes.Quem escreve esse singelo texto é alguém que perseguiu namoros de anos. Não me orgulho da lista de ex-namorados, preferia ter a paz de não precisar fazer dieta porque o homem já está garantido (claro que isso é uma grande ironia). Mas, vejamos, os aniversários passam, natais. Um perde o emprego, o outro ajuda. Há cumplicidade numa fase, depois o outro só se preocupa com o seu projeto. Depois brigam, voltam as boas. Sexo mais frequente. E as coisas vão seguindo sem grande evolução. Às vezes você arranja uma briga só para o sexo ficar mais entusiasmado quando fizerem as pazes. Esse é o ritmo de um relacionamento. Desgaste. Preocupação. Ou será que não encontrei MESMO o amor-da-minha-vida? Não sou radical, aceito "pitaco".Mas quando conheço os casais de perto, aqueles que eu julgava os mais felizes de todos tempos... Estes estão pensando, silenciosamente, em como abandonar o seu parceiro. Eles sabem dos percalços para um fim e, por vezes, recuam. Digo isso com propriedade, pois já abracei mais de 2 homens nos seus caixões, com medo de respirar vida lá fora. Medo de ficar só, medo de me arrepender. Medo de cair nas mãos de alguém pior. Medo até de não ser amada nunca mais.Entrar nesse vendaval de vaidades que é um relacionamento amoroso requer saúde mental. Não direi que meu coração está em coma ou que eu estou doente. Direi apenas que preciso me recuperar ainda do último resfriado.

Giu.

Falta de tempo

Sinceramente não sei se o amor pode surgiu de um olhar perdido, de uma ação despropositada ou de um pensamento seguido. Não sei dizer se ele surge somente com o tempo, com o cuidado da rotina e, com ele, a certeza da verdade. Saber-se apenas de uma pessoa. As agonias de não estarem juntos, vontade da sua voz. Seria o amor um tipo de individualismo, que procura eliminar todas as dores? Mate em mim as vontades, que eu não tenha tempo de tê-las, pois me satisfarei instantaneamente a um curto intervalo de instantes. Ter a coragem de arriscar tudo por um gesto, um sorriso torto, uma palavra engasgada. Meu mal-jeito com o amor me tornou uma pessoa capaz de suportar a própria solidão. Desabo com um abraço, e por ele horas com olhares na janela. Acabar-se no mínimo dele, mesmo que nunca mais, se é tempo que me falta... destruidor, incansável amor.

Giu