quarta-feira, julho 14, 2010

E os outros são os outros

As pessoas normalmente acham que entendem o amor. Principalmente quando estão apaixonadas. Repetem, dão conselhos e se firmam palestrando de como é fácil esquecer ou conquistar alguém. Alguns acham que a solução é ceder. Outros que não se deve pegar muito no pé. Outros gostam de ser livres. Difícil mesmo é superar um amor. Todos acreditam que só o tempo ajuda. Só um tempo. Amanhã, quem sabe. Claro, claro. A gente sempre acha que tem razão. É sempre o outro lado que exagera. É sempre o outro lado que enlouquece. É sempre o outro lado que precisa pedir perdão. Perdoe, pelo menos. Todos têm o direito de errar. Todos têm o direito de uma segunda chance. De uma terceira, não. Aí, já é abuso. Não esqueça quem você ama e principalmente não esqueça quem ama você. Desculpe as pessoas. E principalmente não insista no que não dá certo. Fique tranquilo com você. Um dia a pessoa cansa e não irá mais te ligar. Todos têm orgulho. Todos têm algum valor. E você é ou será apenas um outro qualquer para alguém. E os outros são os outros e só.

segunda-feira, julho 12, 2010

Momentos

Como são difíceis os momentos. Momentos de decisões, momentos de escolhas, momentos de solidão, momentos de partidas, momentos que em frações de segundos, decidimos nossos destinos, nossos caminhos. Momentos que nem sempre estamos equilibrados, lúcidos em tomá-los. Momentos que se tornarão talvez eternos ou passageiros, que se tornarão a dúvida ou a certeza, uma realidade ou um sonho, uma alegria ou uma lágrima. Momentos que farão de frações eternos dividendos. Momentos que nos tornarão heróis ou covardes, que nos farão amar ou odiar.

quinta-feira, julho 01, 2010

Posso te escutar

Depois de toda essa desesperança, depois de todo esse tempo que se passou. Quando foi? Perdi a noção do tempo quando você me deixou, sozinha, sem saber o caminho de casa, a rua pela qual seguir, o rumo para me encontrar. Perdida e vazia.
A lua me encontrou. Naquele momento de sobriedade desesperada, enlouquecida pela falta, pela ausência que me causou. Saudade tornou-se o mundo quando eu percebi, enfim, o deserto no qual me deixara. Deixou-me, culpando-se pelo ato de ser e precisar. Precisar.
Ninguém nunca precisou de alguém como um dia eu precisei de você, sua bondade era como a sombra na beira mar. Eu via aquela água imensa, escura de cor inexplicável que eu sempre adorei, e em meus sonhos você me visitou, talvez fossem pesadelos, em outras palavras, era quase insuportável acordar. E eu acordei: todas manhãs ensolaradas, frias ou maltratadas. Todas as noites, quentes ou nubladas. Com céu ou sem teto, acordei desolada na infinita singularidade que me foi dada.
Lembra daquele som acustico bonito que parecia vir do além para nos envolver? Era tão intenso que eu nunca esqueci, nunca. A cada instante aquelas notas ressoaram em meus ouvidos, me fazendo acreditar que por onde quer que eu fosse, você estaria sempre comigo.
Então me diga por quê. Agora me diga. Explique ou invente uma teoria qualquer, me faça acreditar que se foi porque a vida exigiu isso de você, diga que, assim como eu, nos dias nublados-ensolarados-infinitos que esteve distante dos meus braços pensou em mim.
Eu olho – todos os dias – pela janela, busco um motivo para já não esperar o dia em que nos encontraremos novamente e não posso, não concordo que um dia o mundo agiu para nos separar.
Você sabe que foi meu alento do começo ao fim. Fim este que ainda não aceitei, busco-lhe no deserto de almas em que passei a viver. Busco-lhe aonde eu for, ruas e avenidas são pequenas no mundo que eu tenho para vagar. Precipícios são rasos diante da profundidade do meu querer.
Me dê agora, um único motivo para que eu feche os olhos e saia, sem que o sentimento que eu sinto seja mais forte do que qualquer coisa que eu venha um dia a encontrar. Você foi e sempre será meu mundo, digo e não tenho porque calar. Essa voz insiste todo o tempo em provar o quanto eu posso e vou eternamente te amar.
Sinto tua falta a cada momento que a hora insiste em passar. Espero te ter para sempre um dia.

Em memória.

Se eu pudesse escolher outra forma de ser

Criaste em mim uma forma bonita de sentir, tão forte que chego a fechar os olhos, não posso enfrentar. Quando não estou contigo, sou só um corpo vazio vagando pelo mundo. Um corpo um pouco surrado, marcado e cansado, mas um corpo que, mesmo vazio, clama por ti. E não desisto, porque desistir seria deixar-te para trás, e isso não faço.
Tomaste toda minha calma, levaste toda minha paz. Agora sou só uma lembrança apagada do que nos dias presentes você me torna. Amor, venha correndo ao meu encontro, abrace-me forte contra o teu peito, proteja-me da loucura que é essa distância que insiste em entre nós ficar. Cuide-me, seja minha armadura enquanto serei o corpo que te sustenta. Diga-me o que eu preciso fazer para ter-te sempre, assim não deixaria o mundo outra vez nos afastar. Diga-me, e eu prometo ser bem mais do que um dia eu neguei.