Essa é uma história de amor inacabada!
Com a intenção de ajudar você que está lendo isso. Não preciso citar nomes. Sou eu e ela. Sou daqueles que se acostumou a não esperar piedade de ninguém. Faz um ano que tudo aconteceu. Como toda história real, não tem final feliz.
Tudo começou na adolescência. Eu não podia ser diferente dos meus colegas. Era meio revoltado, fazia algumas coisas que eram contra a lei, tinha sonhos gigantescos e uma vontade enorme de mudar o mundo.
Em um encontro na casa de um amigo, conheci ela. Consigo me lembrar perfeitamente o momento em que ela apareceu. A roupa, o jeito, a maneira como me olhou, tudo. Ela era uma garota do estilo “alternativo”, digamos assim. Me encantei. Ela parecia ser muito difícil, complicada e incontrolável. Ela foi extremamente fria. Acho que por isso fiquei tão intrigado. Com o tempo, ficamos amigos. Cada dia que passava eu ficava mais afim dela e acabei me abrindo com meu amigo e ele, logicamente, contou para ela. Fiquei chocado quando ela me ligou. Acabamos nos aproximando mais e percebemos que tínhamos os mesmos gostos. No outro dia na faculdade, com o coração na mão, procurei por ela. Uma conversa rápida, uma abertura, de corações, mútua e um beijo que nunca vou conseguir esquecer.
Começamos a namorar e éramos quase um casal perfeito. Nem discutíamos. Paramos juntos de usar drogas e brigamos com as nossas famílias para ficarmos sempre juntos. Era amor, amor de verdade, paixão arrebatadora. Casamos. Não foi nada com véu e grinalda e muito menos juiz. Não importava.
Aluguei uma casa simples, nada de luxo, apenas o bom e necessário para um começo de vida a dois. Mas, como sempre tem um “mas” ela acabou se cansando de mim e procurou acalento em outro.
Chorei. Gritei. Morri. Renasci quando ela me pediu perdão. Se ela soubesse que não tinha o que eu perdoar... Eu já tinha perdoado. Por incrível que pareça, isso fez a gente ficar mais cúmplice. Nossa vida ficou muito melhor e tive a certeza maior ainda que ia ser para sempre. Mesmo com a inconstância dela e as minhas perturbações mentais.Alguns anos se passaram e descobrimos que ela estava grávida. Essa é uma alegria infinita. Uma filha. Um anjo. O selo de amor eterno e cumprimento daquilo que é destino a todo homem e mulher, um fruto do amor mais bonito e sincero que poderia existir. Demos a ela o nome de um anjo. Não o mais bonito, não o mais errado, não o mais virtuoso, mas o mais forte, o mais libertador, o mais contraditório. Lilith.
O tempo da gravidez foi o mais maravilhoso dos dias que vivi, os mas belos, os mais cheios de esperanças, não mais aqueles sonhos adolescentes, mas o sonho de criarmos nossa filha com amor, carinho, respeito e livre pensamento.
Quando nossa filha nasceu, muitas coisas aconteceram. Algumas ruins e outras boas. Tivemos o nosso primeiro réveillon em família e depois disso tudo desabou. Uma maré de azar me cercou. E a gota de água foi quando nossa casa foi assaltada. Eu pirei. Não sei bem o motivo, talvez por tudo, talvez por nada. A minha família, a dela, todos. Quando minha filha tinha 4 meses, fui embora. Prometi que iria atrás de algo melhor e que logo estaríamos juntos novamente. Essa foi a última vez que a vi. Fui para três mil quilômetros longe delas.
Foram semanas de aflição, sem emprego, sem amigos, sem conhecidos, sem esperança. Comendo pouco, dormindo mal. Achei que seria o fim, até que achei finalmente um emprego. Em seguida, arrumei uma casa e comida. Tudo fruto do meu esforço, nada foi de graça. Comecei uma luta, principalmente interna. Principalmente por elas não estarem ali.
Ligações, cartas, e-mail. Durante os primeiros dois meses, minha rotina foi arrumar grana pra comprar cartões telefônicos. Foi assim até que um dia ela disse que tinha uma noticia ruim. Logo imaginei que tinha outro. Meu mundo ruiu, caiu, acabou. Choro, dor, ódio, arrependimento e ninguém pra me confortar. Nem dinheiro para voltar eu tinha...Lutei, cresci, fui reconhecido e achei ótimo emprego. Queria voltar, estava desesperado! Um ano tinha passado e eu não deixava de pensar nela um dia sequer, mesmo estando envolvido com outra mulher. Alias, nenhuma das mulheres que tive depois, chegavam aos pés dela. Planejei nosso reencontro durante 5 anos. Nesse tempo, fui duas vezes para a cidade dela ver minha filha, mas nunca a encontrava. Queria as duas, nunca consegui. Sempre a amei, acho que talvez foi a única. Enfim, quando estava preparado para te-la novamente, recebo de maneira fria a noticia que ela estava morta. Uma tragédia, um acidente incontrolável. Uma inconstância, um despreparo.
Eu, continuo a minha vida com um buraco no peito do tamanho de um tiro de doze. Nada vai tirar o arrependimento por nunca ter dito o quanto eu a amava. Que ela era tudo para mim e que eu a amava mais que tudo no mundo.
Eu deveria ter pego carona, ido a pé, sei lá. Devia ter escutado meu coração. Devia ter procurado ela quando tive a oportunidade. Tento passar por cima disso. Tento me apaixonar de novo. Mas é tudo muito vago e não sei como vai ser meu futuro.
Hoje, faz um ano que ela morreu. Ninguém sabe o que eu sinto, só meus demônios. E dói muito. Principalmente quando sonho com ela e acordo em prantos. Meus dias têm sido insuportáveis. Logo agora, que poderia dar pra ela o mundo. Logo agora que sou homem e aprendi que o que eu sentia (e sinto até hoje) era amor. Eu não acreditava em histórias de amor, até viver essa.
A única coisa que posso fazer é aconselhar. Não deixe pra depois, não protele o amor, nunca. Corra atrás, mesmo que isso acabe com todas as suas forças, mesmo que isso faça com que seus sonhos pessoais ou profissionais fiquem de lado, mesmo que isso arranque sua pele. Pense que pelo menos seu coração estará intacto.
Não siga meu exemplo. Hoje, tenho 27 anos, e um coração sem conserto. Tenho uma filha que é a única coisa que me mantém vivo. E essa dor... constante... pulsante!
snif.
Besos
Giu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário