segunda-feira, abril 22, 2013

Não sei

Um trecho do livro “Le Petit Prince” de Antoine de Saint-Exupéry me fez refletir sobre meu momento atual, sobre o que tenho passado e o que penso referente ao meu futuro. Descobri que não sei. “Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteroide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo: É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a gente vai ficando cada vez mais perto. Os passos de todos os homens me fazem entrar na minha toca. Mas os seus passos me fazem sair”. Porque esse bloqueio? Porque tantas duvidas e perguntas? Porque ser assim confusa? Talvez eu consiga ver com maior clareza, tamanha incerteza. A incerteza do amor confunde, confunde porque assusta, confunde porque acorrenta a alma, o coração, os sentidos e os movimentos. Notei que, paixão demais marca demais, machuca demais, tráz medos demais. Mas porque o demais não é bom? Quem ama demais, se entrega demais, tudo de uma só vez. Tão demais, que não sobra pra depois. Pois uma vez demais, como fazer para ser menos de novo? Por onde passo vivo intensamente, mas até onde a intensidade tem me trazido bons frutos? Não sei explicar o que penso. No geral escrever alivia, acalma e centra. Porém hoje não. Hoje perco o tom, perco as palavras, esqueço-me das letras. O que está acontecendo? Estou vivendo um martírio de sentidos, viver uma alegria e ao mesmo tempo cair em uma inação ao imaginar que estou no lugar errado. Porque acreditar? Tantas coisas provam o contrário. Abra os olhos. Não. Porque sinto, porque amo e porque vivo. Eu canso, canso de entender, de explicar e expor. Cobro-me, mais do que a ti. Cobro-me por entendimento. Tão tola e infantil, tão boba e vulnerável. Parar e calar-se tem sido constantes atos e em consequência constantes dores. Não quero falar, não deveria precisar. Não quero repetir, não quero desenhar. Será difícil entender? Será difícil ver? Talvez. Mas mesmo entendendo, é tão difícil mudar? As palavras têm sido efêmeras e desleais. E as mudanças, promessas. Como dizia Einstein “O nosso maior erro é fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”. Quero ser livre. Amar livre. Quero felicidade apenas, mas porque isso acarreta tamanhos desencontros, decepções e duvidas? Talvez não seja certo, talvez não seja a hora. Não estou em um momento permitido. Não estou em um momento disponível para deslizes. A opção seria esquecer. Esquecer para não tê-los. Mas quem falou que seria fácil? Eu sempre soube e permaneci aqui, parada, feito uma tola. Esperando. O que poderia concluir sobre isso? Paixão. Eu não espero, não aceito, nego-me a crer. Ninguém merece minha compreensão diante de uma entrega mal entendida. Mas porque aqui é diferente? Paixão. Talvez por isso eu me cale. Talvez por isso eu não viva. Reservo-me. Oculto-me. Protejo-me. Não acredito em nós, não acredito em você. Tanta coisa cai por terra tão facilmente ao seu lado. Será minha falta de crença, ou será sua falta de clareza e firmeza? Será minha duvida em relação à paixões, ou será a fragilidade quanto à pessoas alheias? Quando isso aconteceu? Nunca. Quando me vi assim, perdida? Nunca. Embora meus pensamentos sejam os mais ocultos possíveis, sempre soube o que queria, o que fazia e sentia. Hoje não. Hoje eu vivo o hoje. Amanhã, eu não sei. Amanhã, alguém pode aparecer e mais uma vez enfraquecer, abalar, desmotivar e me fazer desacreditar. Quem desacredita do amor? Quem não ama, ou quem o teme? Eu não gosto de paixões, acho que paixões são passageiras, veem como um vassalo, te abala, te enlouquece e vai embora. A vulnerabilidade machuca quem não a conhece, quem não te cuida, quem não se importa, e principalmente, quem não sabe lidar. Você. Não demonstrar o que pensa e sente, não é sinônimo de não sentir. Entendo que o amor seja calmaria, seja tranquilidade e puro prazer. Nego-em à paixões desse tipo, paixões imaturas, paixões frágeis. Isso nos matará, matará o que temos, matará meu coração. Matará você para mim. Porque se permitir transformou-se em um desafio, prova de fogo. Roleta russa, não sei brincar disso, não sei viver de apostas, apostas que me valem. Melhor esperar. Esperar para ter certeza. Pés no chão. Ponderabilidade tem sido meu lema durante anos. Estou exaurida. Quero viver, quero ser livre. E só tenho a espera. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.

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